': Repugnação parte II

21/05/2011

Repugnação parte II


 

Ao me deitar, pude melhor analisar as “asneiras” que o Sr. Deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) despejou quando perguntado a respeito da pena de morte e oportunidades para ex-presidiários que querem egressar à sociedade. Gente estou certa que para alguns não há retorno, que existem sim, pessoas que não querem sair da vida do crime, que não há possibilidade de uma vida normal, e que quando saem do presídio, querem fazer pior, e estes, optaram estar à margem da sociedade. E com esse ai, só Deus... Mas, há aqueles que sobrevivem o horror de nossas cadeias, que se arrependem e querem recomeçar a sua vida, reconstruir família com dignidade e respeito, pois errar é um ato humano, e poucos conseguem se erguer e ir adiante, brigando por uma nova oportunidade e um novo papel junto a sociedade. Não podemos generalizar, ou sentenciar alguém assim, com tanta leviandade, até porque, quem nunca errou que atire a primeira pedra... Alguém me perguntou se seria a favor da pena de morte no meu País, posso responder que se isso resolvesse os EUA não tinha tantas chacinas, tantos atos de violência e vandalismo. Sou daquela que acredita na re-integração, acredita que o País deveria se voltar para projetos penitenciários mais eficazes, acabar com algumas mamatas, e colocar “vagabundo” seja ele de curso superior, colarinho, ou analfabeto, tudo no mesmo saco. Porque para mim, assassinos, ladrões, são bandidos, e o grau de escolaridade deles pouco importa, afinal, um assassino de curso superior não cometeu o mesmo delito? Qual seria a diferença? Porque se importar se um assassino é culto ou não? Estamos aqui julgando o seu ato e não o seu grau de escolaridade. Pois bem, em algumas cadeias, vemos assassinos de curso e situações financeiras, em salas especiais, assistindo DVDs, tomando água gelada, sucos, e muitos, até whisky, como se estivesse de férias... E vem um deputado Federal acusar mães inocentes (generalizando) de que as mesmas levam celulares na cadeia? Olha, Que isso acontece, estamos certo que sim, mas, com todos, inclusive com políticos corruptos, que nunca ficam presos, com filho de “papai e mamãe” que queimam índios, matam por dirigir embriagados, que matam por delírio das drogas etc. E ai?  O sistema e a política de segurança trabalham com pesos e medidas diferenciados.  “O deputado trabalha com a idéia antiga de que também foi pobre, e comia “cascudo”“, que seu pai era dentista, e tal, quero lhe dizer que o Sr. Não sabe o que é pobreza nem de longe deputado. Ou será que o senhor esqueceu que: ser dentista(mesmo  que prático) em sua época era ser Drº? Pobre, deputado, ,fui eu: Filha de pais separados,descendente afro-Italiana, do  morro, e comer “cascudo”, seria no mínimo, comida de rico, pois, diferente de sua família, a minha ainda não teria um Dr. ( mesmo que prático) então, era um ovinho frito mesmo, e olhe lá... Pois é deputado, eu sou uma das poucas pessoas daquele morro infeliz e medíocre, em que políticos só apareciam por lá em época de campanha, alimentando os sonhos daquela gente sofrida, simples  e desigual. E aos 40 anos, posso lhe garantir que me formar em pedagogia, foi para aquela gente, um sonho realizado entre tantos, um orgulho para a pobre mãe, que seria mãe e pai... Mas, posso lhe afirmar que não poderia acontecer com todas aquelas crianças (muitos já mortos, inclusive por policia),pois, claro que negro,pobre é mesmo sem valor...E agora o senhor  me perguntaria porque consegui? Ah, poderia lhe dizer que com um pouco de sorte, ainda corre em minhas veias  o sangue sonhador (descendentes de italianos) daqueles imigrantes que sonharam um dia com uma pequena terrinha e a sua própria colheita. Por que negro deputado, ainda não sonha, somente grita por  se libertar do pesadelo que as correntes e os troncos lhe causaram, o negro  deputado ainda vive naquela senzala , comendo migalhas, sobrevivendo de razões nas quais hoje  senhor vem enfatizar.A única mudança meu senhor, é que hoje a senzala é este País desigual e as correntes são à falta de educação e a luta pela sobrevivência e um lugar ao sol. Aponte-me negros como uma classe, e eu me calarei...Pois é...A diferença é que nem todos negros tem sonhos, e quando isso acontece, “senhores” |(como o deputado), os acorrentam e o silenciam, sentenciando  o levando á morte. Porque ao invés de políticas tão medíocres, não se trabalha com novas perspectivas para o negro?Chance para viver com dignidade, sair dos morros, com sapato nos pés... Abrir um livro e enxergar o sol...Cotas sim, pois só assim que os mesmo podem  tentar tirar os pés da senzala e partir para um recomeço. Pois, visto que educação, classe e mudanças, são para brancos, ou será que temos em nossas universidades negros como maioria?Negros formaram quilombo, e na sua fuga refugiaram aos morros.  Correntes deputado, foi isso que o senhor impôs a aquelas famílias, que no mínimo, mereciam respeito, pois ainda (pagam o seu salário) . Em outro momento, o senhor ironizou a “adoção” de crianças para homossexuais... Lamento, em perceber que alguém seja tão egoísta e preconceituoso que ache que lugar de crianças, seja em um orfanato, esperando pelas migalhas (que muitas das vezes, não vem..) dos políticos.Sim, porque no  teu salário, está incluso uma quota para bens sociais, não é? Entristece-me em perceber que governantes como o senhor ditam até a opção sexual de um cidadão. Ora, adoção é questão de sobrevivência, um ato humano e de carinho, e se, qualquer pessoas (independente da opção sexual) estiver dentro do perfil que a legalização, qual é o problema? Será que alguém poderia esclarecer ao senhor que ser homo não é uma condição? E que exemplo são dado com atitudes, e não com opção... E que princípios religiosos são bem vindos, quando eles abraçam a bandeira, e que sujeitam a adotar e zelar por essas crianças não como um fardo, mas, porque sentem a necessidade de doar-se... Ahh.. Quanta mediocridade! Quando convém, religião opta... Conheço homossexuais íntegros, de bom caráter e cultura, como conheço homens (hétero) que deveriam ao menos, sentir-se envergonhados por abrir a boca com louvor e soltar ao vento palavras preconceituosas e que já deveriam ser abolidas em um País que grita e clama por humanidade. Então, se o impede de homossexual de cumprir o seu papel junto à sociedade, deveria abolir do seu pagamento décimos que a parte que os cabe, pois, antes de homo, são pessoas, que pagam o seu salário, e que sustentam os mais arrogantes delírios e prepotência...

Comece o trabalho e combata o que já deveria ter começado:A injustiça social, assim, estará combatendo em 80% a criminalidade.

Claudia Bispo

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