Com os olhos fitados para o nada levei ao longe o meu pensamento, só não me pergunte aonde, pois não saberia responder, aos 70 anos (bem vividos) acho que possuímos a técnica de olhar sem pensar, viajando nas mais profunda melancolia do tempo... Eis que ao longe, uma pergunta:-" - Mãe, você amou?De repente meus olhos fitaram aquele moço lindo, com uma pergunta tão óbvia e pouco analisada. Sem esperar a frase se completar (achei melhor interrompê-lo antes que a pergunta fosse estendida), baixei-me a voz, respirei como se o tempo voltasse, e suavemente o respondi:" - Sim, amei, como se fosse único "...Como reprovação, aquele moço diante de mim, retruca:"Oras, não é desse amor ao qual me refiro, e sim, de um amor intenso, que pulsa, regenera e faz flutuar..."Como se não entendesse, meus olhos viajavam na plenitude de sua idade, onde se confundia amor e paixão, felicidade com momentos oportunos. E quase como águia, investi naquela indagação tão particular, e, necessariamente compreensiva... "- Sim amei e amo, e hei de amar pelo tempo que me resta. Amei a cada segundo no qual alguém me ofereceu afago, companheirismo, solidariedade, simplicidade , paciência, correção e até nos momentos em que alguém entrou em minha vida como refúgio e tirou de mim lágrimas, amei aquele poeta, aquela musica, o beija-flor que cruzou as minhas manhãs com um soneto que apurava os meus sentidos. Amei, o dia em que fiquei doente e me restaurei, quando chorei e em seguida sentia a sensação de sorrir, amei o dia em que te senti no meu ventre pela primeira vez, e quando de minhas entranhas saiu... Ahhhh!!Amei, amei, amei.. Aquele choro, balbucio, a minha família, a minha mesa farta, a minha simples casa, o sol de verão, a chuva que caía,o frio que me pertenceu, nos meus gostos e até nos maus... Fui interrompida com o som daquela voz a me reprovar: " -Mãe, sei que essas coisas são importantes e belas, mas, o amor ao qual refiro é mais que isso, é singular, mágico, sublime..."Meus olhos entendiam o que ele queria dizer, mas o meu sentido dominava e calculava a cada interrogação e juras nas quais ele queria ouvir... era o "amor dele contra o meu" que se conflitava diante de uma situação inapagável pelo tempo." -Filho amado, talvez, não fosse a resposta esperada, ou não seja condizente ao que sentes agora, mas foram nessas simples coisas que encontrei o amor, que encontrei a força para seguir adiante, construir o meu castelo de sonhos e contemplar os meus 70 anos, sem medo, sem pedir ajuda ao vento... Foi neste amor que me inspirei quando olhei o próximo, quando cuidei-me para não ferir quem eu amo e muito menos maltratar aqueles que me eram indiferentes, foi com esse amor, que tremi quando lhe segurei no colo sem ao menos saber o que fazer com aquele corpinho mole e indefeso (ainda era uma menina)...A palavra é muito linda:"Amor", contemplada pelos poeta e enamorados, mas, só o sente verdadeiramente quando se permite a olhar de dentro pra fora. Não seria os meus 70 anos que explicaria isso... Mas, poderia fazê-lo refletir. Diante de minhas mãos (hoje não tão segura) poderia deEstou inspirada, sai da frenteeeeeeeeeeee...kkkkkkkk
Subo lentamente para que os meus passos não absorva a minha indignação
quanto ao que sou ao que fiz e ao que me restou... Nem de longe fui o
que sonhei, criei expectativas nas sombras de um novo alguém. Ao 13º
andar de um arranha-céu tão iluminado, vou subindo devagar, castigando o
meu corpo suado para que a minha alma sofra a dor de ser tão fr
ágil
e absurdo. Com passos lentos, vou navegando em minhas lembranças,
relatando como mágica os meus sonhos de infância, os meus amigos do
futebol, a primeira professora, os meus primeiros passos na faculdade,
os medos, as alegrias e até o meu primeiro emprego. Porém, tive uma vida
regrada de acontecimentos, ora feliz, ora chorando, mas definitivamente
sentia um mundo irreal, fora do que sou e do que gostaria de ter sido.
As lágrimas não me acompanham nessa viagem que mais parecia uma turnê,
agora era apenas eu e a dor... Enfim, cheguei na “garganta” daquele
“monstro” projetado por certo alguém, e lá de cima, pude contemplar uma
cidade acesa para o mundo, pessoas passando por debaixo de mim, pude me
sentir gigante, livre e forte, porém, em silêncio olhei estupidamente
aquele mundo aceso e coberto de esperança, por alguns instantes,
consegui olhar acima de mim, aquele azul imenso, que nem eu mesmo
saberia onde iria dar, mas que ao olhar, me acalmava e me fazia flutuar.
Na corda bamba, olhei aquele universo de pessoas transitando, sem ao
menos notar-me neste inferno que me parece um paraíso. Até aqui tive
milhares de testemunhas ocultas esperando singelamente pela decisão que
havia tomado desde que nasci, acredito até que algumas foram eternas
companheiras, e como todo descuidado, não premeditei como seria a minha
“estória”, apenas acreditei que ela teria um fiml. Dei-me cinco minutos,
para observar os encontros clandestinos entre o céu e mar, ambos
confusos, mas eternos companheiros e amantes, sem contar com a senhora
lua apaixonada, que se despiu para abençoar esse livre encontro. Com
este olhar, fui me recordando de alguém que um dia amei, meu primeiro
encontro, meu primeiro 10, e o meu primeiro tudo. Meu corpo tremia,
minhas mãos suavam... Era o meu inicio de vertigem por estar diante do
mundo com braços abertos para voar... No primeiro segundo tive medo de
perder tudo aquilo que os meus olhos contemplavam, e aos poucos, fui
deixando toda a emoção tomar conta de minha decisão, daquele vazio que
me consumia e fazia de mim, um tolo. Abri as mãos, fechei os olhos, e
como um ultimo desejo, suspirei. Senti um toque suave em meus ombros, e
foi surpreendido com um olhar piedoso diante de mim: Um senhor que
aparentava os seus 70 anos que sinalizava uma força brutal no seu olhar,
estendeu a mão em direção a mim, dizendo: ”Estou 50 minutos atrasados,
sinto muito, as minhas pernas já não tem mais a mesma força, e por isso,
por várias vezes, tive que me poupar.” Continuei olhando aquele senhor,
falava com intimidade, com uma suavidade como se fosse alguém de minha
inteira confiança me estendia à mão, ainda me revelou: “Vim te fazer
companhia, e não me perdoaria se não chegasse a tempo de lhe pedi um
forte abraço e lhe dizer que para mim, você é muito importante, é único,
mesmo que ignore a minha fala, o seu abraço me tornará mais forte,
menos inútil, e o homem mais feliz... Sem sequer responder, eu sorri ao
imaginar quantas asneiras um homem a beira do suicídio teria que ouvir.
Porque um alguém que nem sequer sei o nome, me diria tudo aquilo?
Talvez, eu até merecesse ouvir tantas bobagens, mas poderia ser em outra
hora, depois que revi cenas lindas de uma noite nupcial, não
admitiria... Nem me despedir eu conseguia com sucesso, pensei... Aquele
homem com o corpo esquivo quase me suplicando um abraço, e com aquele
olhar, eu diria que mendigava um consolo. Então, como um ultimo pedido
resolvi atende-lo e ouvir a sua própria “estória” escrita com um começo
do primeiro abraço de um suicida imortal... E foi assim que: Aqui
estou...
Cláudia Bispo
ixá-lo cair, mas, por amor, morreria por ti..." Realizei sonhos, e por minha família, ergui colunas. Seu pai (agora, com 85 anos) foi amado, sim, o amei quando não o desejava, o respeitei, estive o tempo todo do seu lado, mostrando fidelidade e companheirismo, e estamos hoje, nos despedindo a cada dia que passa, com o mesmo sentimento e admiração, não tivemos o fogo da juventude, mas, ousamos quanto ao amor que necessitávamos para sobreviver e estarmos hoje, com filhos formados e libertos. E se a próxima pergunta for: Se eu fui feliz? Sim! Fui e sou feliz, quando contemplo a semente plantada no eixo de uma juventude e hoje, sendo testemunhada como bisavó. Fui feliz, quando nos primeiros desencontros em que eu e seu pai sabiamente optamos não desprender as mãos, mas, uni-las, pois delas, dependiam vidas e isso, é amor filho..." - Senti uma imensa decepção naqueles olhos, uma frieza naquele olhar quase me julgando, penalizado com cada palavra minha. Aos poucos, fui soltando a voz presa, mostrando-lhe que cada sorriso, me remoçava 10 anos, que a cada luta vencida me aproximava ainda mais daquele homem que até hoje amo, do modo mais estranho, mas, que não o largaria por uma paixão apenas. Fui sentindo a distancia e a diferença do "amor" que ele queria ouvir, uma mistura louca de paixão e desejo, e antes que me reprovasse, eu diria:"Uma paixão mal sucedida, mata e lhe deixa seqüelas, ira e lhe deixa a mercê de tantas outras tentações, e até, paralisado diante da vida." - Não fui menos feliz, porque decidir unir as forças e formar a minha fortaleza, também, não deixei de viver por não senti essa paixão que poderia matar, ferir ou me propiciar uma fantasia, eu diria um tanto quanto, "saliente".Tive tudo na medida, fiz tudo para me sentir feliz, talvez, tenha errado menos, ou demais, só sei que enquanto viver, quero sentir esse louco desejo que levo : Amar, amar e...Amar!
0 comentários:
Postar um comentário