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13/04/2010

Acorrentados




Minha alma veste a cor... No tronco o meu sangue transforma-se em fúria, em lágrima que um dia derramei. Vossos pensamentos não vem de encontro ao meu...Não penso! O direito que a mim foi concedido foi fazer do teu reino o meu pavor. E dos montes, o meu refúgio. Fui caçado feito bicho, lavando a dor que denomina a minha cor. Negro sim! Raça sem direitos, mas, com sonhos: Ser liberto para a morte ser primor. Não te culpo por não levar consigo o que sou, e de mim, a semelhança. Nao reinaria com tuas palavras, apenas murmurios, lamentos e canto...De tal forma que fiz do tronco, o destino , da minh'alma, a vergonha, e do resto, uma singela sorte... Deveras eu, limpar o pasto, onde passáros encantam, e do mato que plantei horizontes, a minha vida. Senhores por direito, acorrentam-me a morte, e vende-me como peça sem valor.... Em suas terras frias, onde o sangue que se cai , grita ... Nesta terra por onde pisei , comi e bebi com os porcos , onde se fez o tronco, honrar o meu labor. Ao rezar, pedi clamor, proteção a oxalá, que de mim, sobrasse virtudes, a imagem de um homem, dignidade, uma vida com poucos, com pai e mãe... Uma identidade para que eu pudesse responder a quem me acorrentou, sem renegar quem sou. E ao amanhecer, viver... Para que o meu sangue se transforme em agua, lavando o espirito e o que restou...E que nas cantigas que levo, seja entoada a minha voz, que rouca se prende a sensala... Liberdade! Ao me fazer gente, com sapatos e carta nas mãos... Senti no momento, o vento e o frio, braços livres e os filhos que me sobraram, em um mundo aberto para buscar quem sou, Com a certeza de não mais ser açoitado pelas mãos de quem me desprende a alma... De um alguém que ainda não sou...


Claudia Bispo

12/04/2010

Torturar sem censura...



E quando vem o sol... Ouço o pensar soar ao longe... Tormento para que eu não desista! Ouço gritos : Onibus lotados, guerra pela sobrevivência: Alguém morrendo, ou implorando para nascer nas públicas saúde...Ouço alguém clamar, orar e chorar... Entregando a quem, um otimismo tão cruel, que se renova a cada amanhecer. Diverte-se com a TV, onde pão é ilustração barata daqueles que o propagam,o leite apenas uma ilusão...E vem a democracia me alimentar de detalhes para que eu não me cale, para que eu grite desvairadamente ...Sim, gritar para que? Para que não seja eu, sufocada com o meu próprio tormento. Ah! Ainda que me cale, a fome grita...O sonho tem pressa, e as verdades, nunca serão a fonte...Fonte de um saber tão medíocre, fonte de uma subjetividade tão irreal...Eu também sou aquela que sonha com filhos bem preparados por professores entusiasmados com os seus salarios, com uma saúde singular e própriamente adequada para um ser humano...Sub-humano pensar que serei...Mas, também sonho com a farta mesa, com a igualdade de ser, direitos cumpridos, assim, como o meu dever... Sonho ao longe, sem perigrinar na noite, por impostos impostados nem sei por que... Sonho com a tristeza saindo pela janela, quando perceber o meu vizinho sorrir, e não mais apressado para buscar o que jamais virá...Sonho, e com a Europa, onde talvez colonizados, não fossemos tão escravizados... E ainda há quem acredite que tudo passou... E que a melhor parte dessa história é dormir... ´É acreditar que um dia tudo será... Sim! Otimismo faz a história e alimenta os meus dias, mas, não leva a minha mesa o pão... Sonhar, nao me traz o onibus mais vazio, um salario justificado e nem uma educação ideal...* Acordei cedo, porque parei de sonhar: Fui interrompida com a morte do vizinho em algum ponto da saúde, fui assistir ao aluno, que dizia aos sete anos, não ter o que comer, fui bombardeada pelo sistema da "mudez"... Sou louca sim! Porque falar é apenas a certeza que tenho que um dia sairá o som... Democracia proclamo, e ela vem com teoricamente...Quero direitos! Sair às ruas, sentar nas calçadas, ler um bom livro, poder olhar, sentir e gritar...Poder ser livre e"rasgar" o frango que um dia foi de minha terra... E o feijão, que aqui plantado, possa ser provado das mãos do que semeiam...Que os ternos não sejam sinonimos de hipocresia, e que a vida de um povo seja mesmo uma história...E que os gringos venham de passagem... Quero a minha moeda liberta, o meu poeta respeitado, na mesa dignidade, a educação proclamada, a minha cultura sofisticada e que a minha musica possa ser entoada...Que os meus irmãos comemorem, e a minha bandeira, assim, asteada... Ao nascer do sol...

Claudia Bispo

07/09/2009

Brasil, Brazil e Brasilis...

Independência...
Ou seria mais um feriado nacional?
Praia, sol e cerveja... E lá vem mais um ...como se não bastasse,
comemora-se com tiros e
salvas...
Gostaria de acreditar que o grito foi em pleno sol, e para os ventos...
Mas, onde estaria D. Pedro se fosse hoje?
Certamente, em um iate à Costa de um belo mar...
E eu aqui...Acreditando que ele brigou pela Pátria...Ou pelo puts...
Hoje é dia de uma pequena parte acreditar e lutar...
Mostrar suas caras, mesmo que seja por uma TV assistida pela plebe...
Hoje é dia de pintar à cara minha gente! Sair às ruas, mostrar-se indignado...
Mas, porque hoje? Estamos no País do axé não?
No País, onde a cultura é um folclore pouco estudado e muito esquecido...
em um País onde se perde um emprego por dançar um tanto ousada,
ou com uma cultura pouca democrática?

Perder emprego, por uma dança? E quem dança?
País de muitos verdes, ignorância e desinformação...
País de caras:Lavadas, mascaradas e pintadas...
País da mediocridade e falsa moralidade
Ergue-se a bandeira...Bandeira para quem rouba...
Mata e seduz...
Bandeira para quem oprime e reprime...
Rebeldes sem causa... Massacram o que não vê
Independência para o sangue negreiro...Colonizados pelos irmãos!
Acorrentados pela opressão...E ai se vai mais Brasil...
Brasil, Brazil e Brasilis...
De terras improdutivas...
Da soja
Do café,
Do cacau
Das palmeiras...
Brasilis, do índio sem terra...
Das matas não virgens,
Da Dependência,
Dos "Nada fiz"...Ou fazem!
Dos desavisados,
Do Ipiranga, ao mais famoso do"Grito"...
Que ecoa...Mas, não entoa...
Ouviram e não entenderam...
Brasil que emerge e não aparece...
Brasil de um povo desajustado e parcial...
Brasil... Do Cristo
Brasil ... Dos carnavais
Brasil ...Do oxente...E de quem quiser...
Brasil...Que foi pra gente...
E hoje...Exactamente, hoje: Dos caras ...E...Bundas
Brasil...Brazil e Brasilis


Escrito por: Cláudia Bispo

02/09/2009

Velho


Vivi por muitos... E estou aqui, esperando a solidão me acordar, me sorri e dizer que é a minha fiel companheira... Vivi amores,desencantos, mas não pude conhece-la... Minha face marcada de nobreza que o espirito engrandeceu Filhos,trabalho e pouca história... Erros, risos, gritos e lagrimas... Mas, bem que poderia ter sonhado mais...Ganhado mais.. Hoje, mãos trêmulas, fotos amareladas, ruidos incessantes e uma breve saudade... Sozinha, no silencio... E o medo de permanecer calada, sem calor, apenas lembrando do que poderia ter sido... Ah! Eu poderia ter buscado mais... Partiu de mim, ficar parada... Partiu do tempo, me envelhecer... As mãos que acolheram, hoje, me trai... O corpo que foi fruto, agora, não mais obedece... E eu aqui: Sonhando em ser feliz! Ou esperando o que virá... Anos que traem, tempo que muda, e a saudade que me resta... Eu vivi! Talvez, não seja o que as minhas lagrimas gostaria, mas o que meu corpo padeceu...Aos longos dos 70... Vivo só, encorajada pela minha juventude...Que não passou...


Claudia Bispo

25/08/2009

E agora Zé?

Eu bem que tentei ser uma advogada, ir mais fundo,
e ser promotora e ou quem sabe, juíza...
Mas, ele queria ser doutor em engenharia...
Pensei que seria mais fácil ser jornalista, ou administradora...
mas, ele me convenceu a dar apoio a quem mais ou menos o merecia...
Naquele instante, pensei que fosse alguém com sonhos,
e que o sol estivesse cintilante à todos...
Tentei então (e sem muito sucesso) ser eu mesma.
Mas como pode alguém com sonhos e desejos esquecidos?
Busquei resposta ao vento, tempo e cor...
Excêntrica, sentido repleto de consciência ,vivi com ele..
Centralizei minhas vontades impróprias ao meu ego,
Mas, com expectativa de ver brilhar o que ontem era Down...
Eu bem que tentei me expor, mas, em virtude do tempo, os anos se passaram...
Incessantemente, chamei de volta o apelo a uma consciência inútil e sem crédito...
Tive medo de falhar, e por isso, matei!
Em diversas contradições, o conflito sem história...
Mas ele (somente ele), fez-me forte, encorajando à solidão...
Crua e inútil aos meus acertos, vivi...Envelheci...
Tive sorte por ser incrédula no que acreditei... Tive anseios e vômitos,
E com requinte e sensatez, fiz-me julgo do próprio saber: EU ERA APENAS ...
Em uma fonte de suspiro e sonhos, desejos inabaláveis, jamais compreendido,
em um julgo de querer se apropriar de uma vida tão distante e despercebida: A minha!
Ah! Eu bem que tentei... Com jornais velhos, lia noticias,
com imagens de minha lembrança em um sonho atordoado e comprometedor...
Já não era dona da razão...
E o doutor? Encoraja-lo era o meu potencial,
Na tentativa de me afirmar em ser exíme e forte, observada e fiel.
Mas, o que faria de mim, com sonhos?
Que atreve a minha mente buscar a longitude do meu ego?
E agora, "Zé" me olha...Como uma obra retratada em seu olhar...
Amarelada pelo tempo e esquecida no armário da solidão...
Indignado, faz-se de rogado e pergunta-me: O que foi você?
Com um olhar pávido e curioso, pego-lhe a mão, encorajo em lhe dizer:
-Eu tentei ser o que não fui, mas, você foi brilhante!
Aos anseios do "Zé", ele foi doutor, marcou a sua história com a vida...
Ou a vida com a história? Saiu do nada e se entregou com tudo,
com a coragem de quem apenas queria também ser doutor... E agora Zé?

Claudia Bispo

30/05/2009


Bjus com muito carinho...Eu

22/05/2009

Atenção

Pessoas Lindas!!

Gostaria de relembrar que todos os poemas são rabiscados por mim, como também, não são editados e muito menos revisados, logo, encontrarão erros gramaticais e de concordancias...Espero que compreendam: Não sou profissional, e muito menos professora de portugues. Bjus , eu

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