': Torturar sem censura...

12/04/2010

Torturar sem censura...



E quando vem o sol... Ouço o pensar soar ao longe... Tormento para que eu não desista! Ouço gritos : Onibus lotados, guerra pela sobrevivência: Alguém morrendo, ou implorando para nascer nas públicas saúde...Ouço alguém clamar, orar e chorar... Entregando a quem, um otimismo tão cruel, que se renova a cada amanhecer. Diverte-se com a TV, onde pão é ilustração barata daqueles que o propagam,o leite apenas uma ilusão...E vem a democracia me alimentar de detalhes para que eu não me cale, para que eu grite desvairadamente ...Sim, gritar para que? Para que não seja eu, sufocada com o meu próprio tormento. Ah! Ainda que me cale, a fome grita...O sonho tem pressa, e as verdades, nunca serão a fonte...Fonte de um saber tão medíocre, fonte de uma subjetividade tão irreal...Eu também sou aquela que sonha com filhos bem preparados por professores entusiasmados com os seus salarios, com uma saúde singular e própriamente adequada para um ser humano...Sub-humano pensar que serei...Mas, também sonho com a farta mesa, com a igualdade de ser, direitos cumpridos, assim, como o meu dever... Sonho ao longe, sem perigrinar na noite, por impostos impostados nem sei por que... Sonho com a tristeza saindo pela janela, quando perceber o meu vizinho sorrir, e não mais apressado para buscar o que jamais virá...Sonho, e com a Europa, onde talvez colonizados, não fossemos tão escravizados... E ainda há quem acredite que tudo passou... E que a melhor parte dessa história é dormir... ´É acreditar que um dia tudo será... Sim! Otimismo faz a história e alimenta os meus dias, mas, não leva a minha mesa o pão... Sonhar, nao me traz o onibus mais vazio, um salario justificado e nem uma educação ideal...* Acordei cedo, porque parei de sonhar: Fui interrompida com a morte do vizinho em algum ponto da saúde, fui assistir ao aluno, que dizia aos sete anos, não ter o que comer, fui bombardeada pelo sistema da "mudez"... Sou louca sim! Porque falar é apenas a certeza que tenho que um dia sairá o som... Democracia proclamo, e ela vem com teoricamente...Quero direitos! Sair às ruas, sentar nas calçadas, ler um bom livro, poder olhar, sentir e gritar...Poder ser livre e"rasgar" o frango que um dia foi de minha terra... E o feijão, que aqui plantado, possa ser provado das mãos do que semeiam...Que os ternos não sejam sinonimos de hipocresia, e que a vida de um povo seja mesmo uma história...E que os gringos venham de passagem... Quero a minha moeda liberta, o meu poeta respeitado, na mesa dignidade, a educação proclamada, a minha cultura sofisticada e que a minha musica possa ser entoada...Que os meus irmãos comemorem, e a minha bandeira, assim, asteada... Ao nascer do sol...

Claudia Bispo

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